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Festival de Cerveja de Helsinquia Festival de Cerveja de Helsinquia
by Alexandra Pereira
2007-04-15 10:00:39
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Nos próximos dias 13 e 14 de Abril decorre na Cable Factory de Helsínquia (a antiga fábrica de cabos e telégrafos da Nokia, hoje exemplarmente convertida de modo a acolher todo o tipo de manifestações culturais) a décima edição daquele que se tornou o mais importante festival de provas de cerveja, whisky e cidra de toda a Finlândia. O cartaz promete, entre actuações das bandas do momento, a degustação de centenas de cervejas diferentes, feitas de bagas ou batata, caseiras e industriais, vendidas em bares ou destiladas em mosteiros.

Não será a manifestação cultural (melhor dizendo, folk) mais louvável e interessante que a Cable Factory já acolheu, mas importará talvez parar num stand de comida por ali e reflectir uns momentos sobre esta enorme indústria do álcool que faz as delícias e a degradação da Finlândia. Pondo de parte eventuais enviesamentos culturais decorrentes da forma como, no Sul da Europa, a doutrina católica moralmente condena comportamentos alcoólicos (o que, diga-se de passagem, nunca os impediu de se manifestarem... e aparte o ateísmo da cronista também...), justificar-se-ia, por exemplo, que no Festival de Cerveja de Helsínquia fossem colocados cartazes “alcoolicamente educativos”, apelando à moderação dos cidadãos e aos cuidados com o fígado suomi? Certamente. Mas serão a influência económica das destilarias e o proveito financeiro que o estado retira das receitas com o álcool suficientes para impedir que tal aconteça? Talvez.

O problema do alcoolismo na Finlândia é, de facto, uma grave questão de saúde pública que importa analisar e debater. É certo que as gerações mais novas trarão uma mudança, mas também é certo que as novas gerações foram maioritariamente educadas a “beber sem culpas” (isto é, sem travão) pelos seus próprios progenitores. Por que não apressar a mudança, por que não colocar figuras públicas e ídolos adolescentes (que, como toda a gente sabe, modelam comportamentos nos mais jovens) em campanhas publicitárias pela saúde hepática e neuronal?

Ao mal comum são atribuídas toda a sorte de raízes justificativas, revelando-se como origem mais provável uma teia interactiva que ligue todas as causas vulgarmente apontadas: a influência russa e a proximidade com o império do vodka, o clima frio, a tentativa de apagar os traumas da guerra, a tradição das cervejas, licores e cidras caseiros com mil e um processos de destilação, uma miríade de cores e sabores finais, os festins da mitologia nórdica, onde os heróis festejavam sempre ao jantar bebendo álcool até caírem literalmente para o lado (porque a forma de “apreciar” os néctares favorita da maioria dos finlandeses é também, como toda a gente sabe, beber até à inconsciência), e finalmente, talvez de forma mais importante, a rápida industrialização da Finlândia no início e meados do século passado, com a passagem-relâmpago duma sociedade agrícola a industrial e industrial a hipertecnológica (tão visceralmente tecnológica – quase cyborguiana – que “a pequena mãozinha” é a expressão vulgar para designar um telemóvel). Foi um processo implementado a velocidade de cruzeiro, com sacrifícios realizados “para o bem comum” (leia-se autonomia, independência nacional, auto-sustentabilidade, benefício e crescimento económicos) e a educação como pilar fundamental – sendo, por isso, de estranhar que o problema do alcoolismo ainda não seja abordado em muitas escolas, juntamente com questões como a da toxicodependência ou o uso de contraceptivos, quando salta à vista que, de facto, o álcool se tornou “um problema” nacional... basta andar nas ruas para o perceber... ou saber que são raras as famílias finlandesas onde mais de um membro não morreu em virtude do álcool. Esse processo de modernização deixou claramente algumas marcas na capacidade de adaptação e resiliência dos indivíduos. É ainda, em parte, por causa do “sintoma-álcool” que se discute recorrentemente a crise de identidade nacional.

Independentemente de tudo isto, para os saudáveis apreciadores de cerveja será agradável visitar a Cable Factory, treinar as papilas, ouvir boa música e ansiar por dias mais moderados.

    
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Comments(2)
Get it off your chest
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Angela2007-04-15 20:26:38
Interesante. Eu pensei que so no Nordeste do Brasil havia gente que gosta de beber cachaca em quanta quantidade e ficar intoxicado.


Alexandra2007-04-19 03:37:24
Nada disso, Angela... :) Numa latitude é cachaça, noutra marufo, noutra vinho tinto, ou vodka e cerveja. Obrigada pelo seu comentário.


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