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O Dia de Minna Canth O Dia de Minna Canth
by Alexandra Pereira
2007-03-20 22:13:04
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O dia 19 de Março, aniversário de Ulrika Wilhelmina Johnsson, também conhecida como Minna Canth, foi oficialmente designado como o Dia para a Igualdade na Finlândia. Minna Canth (1844, Tampere – 1897, Kuopio) foi uma escritora, argumentista, jornalista, mulher de negócios e activista social finlandesa.

Canth começou a escrever enquanto geria a loja da sua família e, na qualidade de viúva, educava sete filhos. O seu trabalho coloca ênfase em assuntos relacionados com os direitos das mulheres, em particular num contexto social que ela considerava antitético à expressão e realização das aspirações femininas. “A Família do Pastor” é a sua peça dramática mais famosa. Tornou-se uma figura controversa no seu tempo, devido à forma convicta como defendia os seus ideais, que entravam em conflito com os costumes da época. Escreveu, entre outros trabalhos, Agnes, Anna, Kuappa-Lopo, Lehtori Hellmanin vaimo ou Lyhyitä kertomuksia. Neste ano de 2007, o dia de Minna Canth é especialmente simbólico, uma vez que se tornará um dia oficial em que a bandeira nacional é hasteada, o que faz de Minna Canth a primeira mulher finlandesa em memória da qual é prestada semelhante homenagem. A estátua de Minna Canth, esculpida pelo artista Lauri Leppänen em 1951, pode ser encontrada em Hämeenpuisto, Tampere.

Numa época em que são escritos artigos científicos sobre “A baixa auto-estima do homem nórdico”, fará sentido a celebração dum Dia para a Igualdade como o de Minna Canth? Pois claro que sim! Serão os movimentos pelos direitos das mulheres os principais responsáveis pela “baixa auto-estima” (e vitimização) masculina no Norte da Europa, ou contribuirá a comparação do orgulho nórdico masculino com os sobreprivilégios dos seus congéneres sul-europeus e com a mundial desigualdade e hegemonia masculina para essa “nostalgia do que poderia ser” o poder másculo, não fosse a inconveniente intervenção feminista?

Em certos meios, em certos países do chamado mundo certamente ocidental ouvem-se frequentemente vozinhas descrentes (e ignorantes) da reivindicação dos seus direitos, subordinadas à ditadura do que está na moda e ao estranho aforismo: “Eu não sou feminista, sou feminina”. Como se uma coisa invalidasse a outra e, pior, como dizendo que entre uma e outra prefeririam a superficialidade subjectiva e fátua do que é etiquetado como “feminino” (porque infelizmente é disso que se trata aqui - aquilo que, como todos sabemos, significa tradicionalmente: frágil, dócil, subordinado, servil, sexy a qualquer o custo, quando não bruxedo ou desequilíbrio mental) à reivindicação de direitos objectivos e universais, ou seja, prefeririam a superficialidade estética (que mais não é, bem o sabemos, do que o papel que as sociedades patriarcais reservaram para elas) à ética imanente e aos direitos humanos globais.

As mães destas vozinhas são muitas vezes ainda as que pertencem à geração do “assim é que se faz a lida da casa”; são elas que, chocando de frente com desigualdades insuportáveis, brutalmente as negam com frases-tipo do calibre “As mulheres é que sempre mandaram no mundo” (como quem diz que mandam na cama e que foi a partir daí, e por vias tão maviosas quão tortuosas e pouco dignas, que conquistaram os seus direitos, e não pelas vias legais). Ou seja, humilham-se a si próprias à custa de quererem “esconder de olhos alheios” (e dos seus próprios olhos) qualquer ferida, qualquer (tremenda) injustiça, condenam a mulher à mesma prática de bruxa de cama barata da Idade Média, uma bruxa na versão neocapitalista do que se compra e vende (tudo), descredibilizam radical e irresponsavelmente todos os movimentos actuais e passados que lutaram pela igualdade de género (com um tremendo desdém…), e dão às suas filhas a ideia de que devem lutar pelos seus direitos cívicos arranjando um bom casamento e manipulando o melhor que possam o marido e o dinheiro do marido ou, inversamente, optando pelo celibato para dedicarem todo o tempo a um trabalho que lhes dê “poder económico” para esmagar os outros. Todos estes poderes são poderes ilusórios e pervertidos, que estiveram ao serviço da hegemonia masculina. São mulheres destas que esquecem a luta pelo bom funcionamento dos tribunais e da Justiça, mas que não raramente atribuem excessiva importância à intervenção divina (que – e isto é evidente como uma aparição – jamais intervirá para que nada mude…), ou simplesmente negam as evidências de que um Dia de Minna Canth, mesmo não sendo necessário, se impõe como óbvio. Talvez bastante mais óbvio do que o Dia da Mulher, que hoje se comemora com jantares românticos e produtos de beleza, já sem qualquer memória das pobres que nesse dia foram emuladas pelo fogo na luta pelos seus direitos, e que se tornariam a partir daí (mal sabiam elas) mulheres sem nome.


   
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